O Setembro Amarelo amplia a conversa sobre saúde mental, prevenção do suicídio e construção de redes de apoio. Nesse contexto, a Comunicação Não Violenta (CNV) oferece ferramentas para expressar sentimentos, ouvir com atenção e estabelecer relações baseadas em respeito e empatia, inclusive no ambiente de trabalho.
Comunicar-se de forma não violenta não significa evitar conflitos ou concordar com tudo. A proposta é abordar situações, sentimentos e necessidades sem julgamentos ou acusações. Nas empresas, essa prática pode favorecer relações profissionais mais saudáveis, especialmente diante de cobranças, prazos, mudanças e diferentes perfis de colaboradores.
O que é Comunicação Não Violenta?
Desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg, a Comunicação Não Violenta busca tornar os diálogos mais conscientes e colaborativos. A abordagem é estruturada em quatro elementos: observação, sentimento, necessidade e pedido. Primeiro, descreve-se o que aconteceu sem interpretações; depois, identifica-se o sentimento, a necessidade envolvida e um pedido claro.
Na prática, em vez de dizer “você nunca presta atenção no que eu falo”, é possível afirmar: “quando sou interrompido, fico frustrado porque preciso sentir que minha opinião está sendo considerada. Podemos conversar sem interrupções?”. A segunda abordagem reduz a acusação e abre espaço para o diálogo.
Comunicação e saúde mental no trabalho
A forma como nos relacionamos pode influenciar sentimentos de segurança, pertencimento e confiança. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% dos adultos em idade ativa vivem com algum transtorno mental em determinado momento, enquanto ansiedade e depressão também estão associadas a impactos importantes na produtividade.
Por isso, relações profissionais saudáveis devem fazer parte das estratégias de saúde ocupacional. Criar espaços de diálogo, preparar lideranças e facilitar o acesso à ajuda adequada são medidas que contribuem para uma cultura organizacional mais saudável.
A importância do acolhimento
Ao perceber que alguém está passando por um momento difícil, é comum tentar solucionar rapidamente o problema. Porém, muitas vezes, a pessoa precisa primeiro ser ouvida. Frases como “isso é bobagem”, “você precisa ser forte” ou “pense positivo” podem minimizar o sofrimento. Perguntas como “quer conversar?” ou “como posso te apoiar?” favorecem uma escuta mais respeitosa.
Acolher também significa reconhecer os próprios limites. Colegas e gestores não precisam assumir o papel de profissionais de saúde. Quando necessário, o mais adequado é incentivar a busca por psicólogos, psiquiatras ou serviços especializados.
Sinais de alerta merecem atenção
Nem sempre quem está sofrendo consegue pedir ajuda diretamente. Isolamento, desesperança, alterações importantes na rotina, mudanças bruscas de comportamento e falas relacionadas a não aguentar mais ou não encontrar sentido na vida são sinais que merecem atenção. O Ministério da Saúde ressalta que nenhum sinal, isoladamente, permite identificar uma crise suicida.
No ambiente de trabalho, gestores e colegas não precisam diagnosticar. Seu papel pode ser perceber mudanças, aproximar-se com respeito, ouvir sem julgamento e orientar para a busca de ajuda. Em situações de risco imediato, procure uma UPA ou pronto-socorro, acione o SAMU pelo 192 ou busque apoio do CVV pelo 188, que oferece atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia.
Como praticar uma comunicação mais acolhedora?
Uma boa conversa começa pela forma como interpretamos os acontecimentos. Antes de responder, pergunte: estou descrevendo um fato ou julgando a pessoa? Procure falar a partir da própria experiência, explicando sentimentos e necessidades. Em vez de “você não se importa com a equipe”, por exemplo, prefira “quando essa informação não chega até mim, fico preocupado porque preciso de mais clareza para organizar meu trabalho”.
Escutar também é parte da comunicação. Permitir que o outro termine de falar, fazer perguntas e evitar respostas automáticas são atitudes simples que podem melhorar os relacionamentos. Nas empresas, essas práticas podem ser trabalhadas em treinamentos de liderança, campanhas, rodas de conversa e ações educativas.
Exercício físico e saúde mental
A atividade física pode integrar uma rotina de cuidados com a saúde. Segundo a OMS, sua prática regular está associada a benefícios para o bem-estar e a saúde cerebral, além de contribuir para a redução de sintomas de ansiedade e depressão. Para adultos, a recomendação é de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, ou equivalente em atividades de maior intensidade.
O exercício não substitui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário, mas pode fazer parte de uma abordagem integral. Caminhar, utilizar escadas, reduzir o tempo sentado e incluir pausas ativas durante a jornada são formas simples de inserir mais movimento no cotidiano.
Movimento no ambiente de trabalho
As empresas podem estimular hábitos mais ativos sem transformar o expediente em uma rotina de exercícios. Pausas ativas, orientações ergonômicas e ginástica laboral ajudam a inserir movimento na jornada e podem ser integradas a ações educativas sobre autocuidado, prevenção e qualidade de vida.
Uma campanha de Setembro Amarelo também pode combinar palestras, rodas de conversa, capacitação de lideranças e ações de promoção da saúde. Além de orientar os colaboradores, é importante avaliar fatores organizacionais como sobrecarga, assédio, falta de autonomia e condições inadequadas de trabalho, que podem contribuir para o sofrimento.
Como a Corpo em Ação pode ajudar
A Corpo em Ação desenvolve soluções de saúde ocupacional voltadas às necessidades das empresas e de seus colaboradores. Por meio de ginástica laboral, fisioterapia ocupacional, avaliação postural, ações educativas, pausas ativas, SIPAT e campanhas de saúde corporativa, a empresa pode fortalecer iniciativas de prevenção e qualidade de vida no trabalho.
Comece avaliando as necessidades da sua equipe e identifique quais ações podem ser incorporadas à rotina. Agende uma conversa com a Corpo em Ação para desenvolver um programa de saúde ocupacional alinhado à realidade da sua empresa.